Passaporte carimbado. Destino: um pesadelo.

Ela nem tinha entrado na adolescência quando conheceu alguém que a fez acreditar que ela não era o patinho feio que sempre se sentiu. Ele escreveu uma poesia para ela, e ela guardou aquele pedaço de papel durante anos, desejando que um dia ele a olhasse de novo daquele jeito… em três anos tudo aconteceu, inclusive ele quase morreu… e ela lamentou por seu desejo de estar perto e cuidar dele ser algo impensável. Até que numa noite, quando ela descobria um novo mundo… ele literalmente tocou a campainha da sua casa, ele atravessou a cidade para isso. Mas diferente do que ela esperava, o seu coração não bateu mais forte, não haviam borboletas no estômago, e sim, ela não sentiu nem atração física. Aquele era um momento decisivo, afinal o seu desejo foi atendido pelo Universo, como sua autoestima não era grande coisa, aceitou o que a vida oferecia, doía muito ser sozinha, e ali estava uma oportunidade. Ela só tinha 15 anos, e não soube reconhecer que o melhor era esperar até um dia seu coração realmente mudar de ritmo por alguém. Foram anos de namoro, (hoje mais velha percebo que era muito pouco, uma rotina morna de poucos planos). Um dia ela recebeu um “não pedido de casamento”, da forma mais fria que isso pode ser, ela foi comunicada que se casariam. Ele comprou um apartamento, ele escolheu, e ela só aceitou. Aquilo nunca foi um lar, e de alguma forma ele sempre a lembrava que aquela casa era dele, ela se sentiu como se estivesse morando de favor. A decoração foi feita por arquitetos, um belo projeto para ser mostrado, mas não havia nada ali que revelasse algo dela. Um ano se passou, e não houve um minuto de alegria desde o Sim.

Depois dela o aceitar como “marido”, abriu-se um portal de solidão e violência, ela adoeceu… e viu que o desejo atendido não era a realização de um sonho, mas o passaporte carimbado para um pesadelo. Aquilo durou um ano e pouco, até ela descobrir que tudo o que passou com ele nunca foi real, apenas um golpe de mestre, friamente planejado por anos. E dessa vez quem quase morreu foi ela, até que um dia o “visto” do pesadelo expirou, e dali ela partiu para não voltar.

Depois de alguns meses longe daquilo, ela acreditou que o sofrimento que passou era tanto, que ela estava com créditos no Universo, para um dia descobrir um amor verdadeiro.

Foi essa crença que a fez seguir em frente, mas depois de um tempo ela descobriu que o Universo não tem moeda de troca, sofrer muito, não significa que lá na frente ele se encarregará de mostrar o caminho da felicidade.

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