Quebrei um copo

Adoro andar descalça pela casa (na verdade em qualquer lugar que ninguém olhe muito torto, e nem vamos falar da sensação de pisar descalço na grama – isso dá um post inteiro com direito à trilha sonora).

Bem, bora voltar ao copo quebrado, e que quebrou exatamente no tapete do quarto. Nem preciso falar que gostar de andar descalça e pedaços de vidro pelo chão não combinam. E em questão de segundos espalham-se os cacos… grandes, médios, pequenos, micro e os invisíveis.

Aí você começa a juntar os “cacos”…. e percebe que dá para fazer uma analogia com a vida, aquele exato momento que tudo desmorona, e não têm jeito, você precisa arrumar a “bagunça” para poder “andar descalço” de novo pelo “mundo”.

Você começa pelos cacos grandes, e então segue recolhendo tudo por ordem de tamanho, passa um aspirador de pó… mas, os invisíveis ficam por dias.

No “literalmente” do dia a dia, resolvi que eles não iam me proibir de andar descalça… e sim, esses pequenos cacos hora se mostravam com a luz da manhã que batia naquela superfície colorida e eu os recolhia. Mas sim, pisei em alguns desses cacos, alguns só deram um susto, outros entraram na pele e machucaram de verdade.

Mas pensando naquela analogia de copo quebrado com a vida… percebi que não recolhemos os cacos do mesmo jeito, do maior para o menor, e às vezes os cacos maiores ficam “ali no chão” por muito tempo, anos até…. e mesmo querendo desviar, de vez em quando “esbarramos” nele e ganhamos um corte, machuca, a gente não acostuma com a dor.

Mas independente dos copos que quebram, sigo andando descalça pela casa e pela vida.

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O mar

O tempo resolveu ficar chuvoso

E junto com as gotas de água que caem

Em seu céu particular lágrimas escorrem

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Lágrimas que são água salgada

Que por um instante a lembram

De como o mar faz parte dela

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Que o mar faz parte da sua história

É o mar que guarda suas dores e também

Seus melhores e mais sinceros sorrisos

Amanheço

Eu nunca fui do tipo que acorda cedo, nunca gostei. Mas não nego que cheguei a acordar às 5:30hs na época de faculdade, não rolava um mau-humor, mas rolava um cosplay de zumbi,

Bem, agora… muitos anos depois, adquiri o hábito de dormir de janela aberta, então quem me desperta é o sol. Sinto que agora não acordo mais, mas amanheço.

Sinto a claridade, levanto da cama, vou para janela, sinto aquele ar fresco onde noite e dia ainda se misturam, coloco algumas músicas e fico ali, acho que uns cinco minutinhos olhando o céu, e o horizonte até onde a neblina permite.

Era uma casa muito engraçada…

Tinha endereço, teto, paredes, móveis… mas não tinha nada. Dentro dela habitava um vulto. Sombra do que um dia foi uma pessoa. Um ser com sonhos, planos, conquistas… mas tudo foi consumido.

Os dias passam e segue o vulto, sem um agora, sem futuro. Segue a sombra sem ser notada, resistindo ao nascer e ao pôr do sol.

Na verdade não é uma casa engraçada, são paredes que hora ou outra… servem de tela para uma silhueta, onde não é possível definir uma forma.

Óculos escuros

Há uns anos atrás um fotógrafo conhecido escreveu um post falando que quando você viajasse, evita-se ao máximo usar óculos escuros, isso para que você visse as cores reais de onde você estivesse, sem obstáculos entre você e as nuances ali que se desnudavam em sua volta.

Hoje refletindo um pouco sobre isso, penso que sem perceber usamos “óculos escuros” para enxergar a vida. Então me leva a pensar em todos esses outonos que eu passei, quantas vezes deixei de “ver as cores reais” do que estava acontecendo em volta.

Pintura nova

As paredes da quadra estão recém-pintadas. Nem tem marcas ainda das boladas do futebol, esse mesmo que acompanho da janela. Um pai e os dois filhos. Daqui eu olho e minha imaginação vai para lugares em outras dimensões, onde provavelmente eu não estaria olhando da janela, mas na quadra recém-pintada jogando 2 x 2.

Poesia perdida

Dos castelos restaram ruínas,

espaços vazios, flores sem vida,

eu fiz de você o que me faltava,

e de seus braços minha casa

Autor desconhecido

Sobre minhas janelas

Sempre tentei respeitar a máxima que o IG era para fotos, não para “textão”, mas ontem “precisei” tirar uma foto crua, uma foto de alma. Não é uma foto incrível, mas é um registro do que acontecia dentro do meu peito, aqueles sentimentos onde coração e cérebro brigam, não se conectam, e o coração vira seu corpo, e sim, vc sente o pulsar, o acelerar e descompensar da cabeça até os dedos dos pés.

Então replico aqui o meu “textão”, pq sei que o lugar dele é aqui

——–

Qdo eu era pequena morava num sobrado de 3 andares, tinha uma grade na minha janela… mas lá qdo eu tinha uns 10 anos, percebi q era só desparafusar e fiz isso numa tarde! Qdo meus pais chegaram à noite surtaram, mas eu simplesmente expliquei q me sentia presa, q a casa tinha alarme, q era muito alto para alguém conseguir escalar… e q eu não queria ter nada entre eu e o céu. A bronca foi gde… mas consegui ficar sem as grades. Mal sabiam os meus pais q praticamente toda noite eu colocava música na minha vitrola preta, e sentava ali na janela, nada impedia q eu caísse, não havia mais grades, eram 3 andares p baixo… mas eu nem me preocupava com isso, pq na verdade eu gostava de sentar ali ouvindo música e olhando o céu sem grades, pensava no q eu ia ser “qdo crescer”.

Aqui não tem grades, não tem queda, mas tem o céu q continua me acompanhando, e o Pico do Jaraguá p eu fixar o olhar e tentar visualizar o q vem pela frente.

Casa Claudia (e mais um impresso morre)

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A verdade é que essa revista me acompanhou desde muito pequena e fez de certa forma parte da realização de três sonhos.

O primeiro foi aos 6/7 anos, quando morávamos de aluguel e meus pais compravam a revista todo mês, lembro certinho de ter pilhas da revista na sala de nossa casa alugada, enquanto eles contruiam o sonho da casa própria. Acho que foi um pouco culpa da publicação termos uma casa com mais de 300m2, chão de madeira, varanda, uma cozinha gigante de marcenaria, uma suite principal com banheira e mais todos os outros etcs que as páginas fizeram eles viajarem. Foi ali que escolhi o lustre do meu quarto, numa das páginas.

A segunda vez que a revista fez parte do meu sonho foi me tornar Abriliana, não trabalhei na Casa Claudia, mas era vizinha na Arquitetura e Construção, e fazia parte daquele núcleo que respirava beleza, e naquele momento o assunto decoração já estava na minha veia porque ser diretora de arte não está só no papel, nas páginas da web, ou em outra media… esta no olhar que você de como você o mundo.

Bem, meu terceiro momento com essas páginas inspiradoras de papel foi quando eu estava materializando meu 12B. Confesso que não comprava todos os meses (como meus pais), afinal muito do 12B está lá do Pinterest, da minha cabeça, das minhas viagens, das minhas histórias, dos meus desejos, mas algumas ideias vieram inspiradas também naquelas páginas mágicas, que agora não passaram mais pelos rolos de impressão.

E esse dinheiro na minha conta?

Quem nunca desejou que um dia abrisse a conta, fosse conferir o saldo e de repente… PUFF… uma bolada estivesse e lá e você simplesmente não soubesse da onde vem?

Seria um prêmio que você nem sabia que tinha ganho, alguém que estivesse distribuindo dinheiro para “x” pessoas…?

Aquele dinheiro que dava para ficar uns meses apenas pensando na vida, revitalizando a casa, as roupas, a casa, viajando… quem nunca sonhou? Bem aconteceu comigo no início dessa semana, e esse dinheiro todo tinha nome, sobrenome, conta e agência que por sinal era do mesmo banco que o meu… e provavelmente sim.. era um engano. Fui atrás do telefone da agência e conversei com a gerente da pessoa, expliquei o ocorrido e o cidadão provavelmente teve um dos melhores dias da sua vida. Hoje estou fazendo a transferência.

A minha viagem, a minha revitalizada no meu guarda-roupa, na casa… bem, vai vir com meu trabalho, com minhas mudanças de caminho, com novas ideias que vão surgir. Mas sim, o Universo fez essa brincadeirinha que a gente sempre pede: de um dia conferir o saldo da conta e estar um dinheiro mágico que veio não sei da onde. FIM.