Sonho de uma noite de verão

Já alerto, esse não é um texto resenhando sobre uma obra de Shakespeare. E mesmo eu adorando uma licença poética… o título é totalmente literal, isso porque o texto já nasceu com título pronto… pura sorte ser poético.

Ela não é bailarina. Quando era pequena e tentou dançar ballet clássico… a professora não entendeu que ela queria uma dança livre… mas era muito “nanica” para dança moderna… a professora a desestimulou completamente e ela foi fazer natação.

Cresceu e tomou corpo. Acredito que meio desengonçada pela quantidade de “roxos” que sempre tinha pelo corpo. E o seu maior segredo? Ela queria saber dançar, não sei dizer se hoje ela sabe… mas o próprio corpo se mexe quase que automaticamente quando houve uma batida que acompanha o ritmo do coração, e muitas vezes essa música esta dentro dela, outros não podem ouvir. E é normalmente quando esta sozinha, que ela se entrega, e cria suas próprias coreografias, de movimentos sem técnica, mas com a liberdade e a intensidade que o corpo pede. Se é graciosa nesses movimentos não sei dizer, mas sua carne pede o prazer de se mover e ela se entrega à essa necessidade.

Uma noite foi dormir desacreditando no mundo, com certeza seria um daqueles dias que iria acordar, e ou não lembraria do sonho… ou talvez nem sonhasse. Ela prefere esses dias, do que acordar com a respiração forte e coração disparado por causa de um pesadelo (muitas vezes ela sente como se vivesse um acordada, mas isso é outra história…)

A noite adentrou no seu pico de escuridão, e seus olhos fecharam sem ela saber do que viria pela frente. Digo que essa noite foi um presente, ela sonhou… e sonhou um mundo especial. Ela passou a noite dentro de um mundo sem coreografia, mas completamente musical, e os corpos se moviam de uma forma que se fundiam numa dança coordenada pelo prazer.

Foi um sonho-filme com figurino digno de ser idealizado por Salvador Dalí… um sonho surreal? Hum… ele se alternava entre um mundo físico como conhecemos, e quando ela parava o olhar, tudo se transformava e em segundos via em um personagem comum, conversando no balcão, um novo dançarino… que se libertava da rotina e fundia-se à massa de personagens em sua dança de liberdade.

O sonho foi o que a despertou, antes mesmo do sol raiar… e o que a acordou foi o prazer que sentia naquela dança, em que ela era a “coreógrafa de sua própria vida”, e ela que ama a liberdade do movimento não seguia regras… mas toda aquela massa de personagens se fundia numa única cadência.

Ela abriu os olhos, mas seu corpo insistia em ainda ficar no ritmo do sonho… ela entendeu que o corpo fala, que o corpo pede… e antes de ir para janela ver o céu, ela permitiu que seu corpo terminasse aquela dança.

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